HPV e Câncer de Colo de Útero

O vírus HPV (Papiloma Vírus Humano) infecta pelo menos 50% de todas as pessoas que têm relações sexuais em algum momento de suas vidas.

Muitas vezes, as pessoas não têm quaisquer sintomas e a infecção desaparece por conta própria. Alguns tipos de HPV podem levar a câncer de colo de útero, vagina, vulva, ânus ou pênis .

Por este motivo, é preciso conhecer o HPV e saber evitá-lo para reduzir o risco de câncer.

Neste texto, abordaremos a relação entre este vírus e o câncer de colo de útero.

Para ler sobre HPV em homens clique aqui.

O vírus HPV

Existem mais de 100 tipos de HPV. Cerca de 30 tipos podem causar infecções genitais. Destes, alguns podem causar verrugas genitais e outros podem causar câncer de colo de útero ou outros tumores genitais.

Os outros 70 tipos podem causar infecções e verrugas em outras partes do corpo, como nas mãos.

Muitas mulheres e homens sexualmente ativos contrairão o HPV em algum momento de sua vida. A maioria nem sequer saberá. Geralmente, este vírus não causa nenhum sintoma. Muitas vezes, o corpo pode eliminar a infecção por este vírus por conta própria dentro de dois anos ou menos.

Alguns tipos de HPV, tipicamente o tipo 6 e o 11, causam verrugas genitais. As verrugas raramente são associadas com câncer cervical. Eles são considerados HPV de “baixo risco”.

HPV e câncer de colo de útero

Certos tipos de HPV são classificados como de “alto risco”, porque eles levam a alterações celulares e podem causar tumores malignos genitais, como câncer de colo do útero, câncer da vulva, de ânus e de pênis.

Praticamente todos os tipos de câncer de colo de útero – mais de 99% – são causados por esses vírus HPV de alto risco. As cepas mais comuns de HPV de alto risco são os tipos 16 e 18, que causam cerca de 70% de todos as neoplasias de colo de útero.

Quando o corpo consegue eliminar a infecção, as células do colo do útero voltam ao normal. Mas, se o organismo não consegue eliminar a infecção, as células do colo do útero podem continuar a alterar e evoluir para alterações pré-cancerosas ou ao próprio câncer.

O câncer de colo de útero na população

Quase 291 milhões de mulheres no mundo são portadoras do HPV, sendo que mais de 30% estão infectadas pelos tipos 16, 18 ou ambos.

Ocorrem aproximadamente 500 mil casos de câncer de colo do útero por ano e a infecção pelo HPV é um fator necessário, mas não suficiente, para o desenvolvimento do câncer do colo do útero.

A imunidade, a genética e o comportamento sexual parecem influenciar os mecanismos que determinam a regressão ou a persistência da infecção pelo HPV e também a progressão para lesões precursoras ou câncer.

Também são considerados fatores de risco para o desenvolvimento do câncer do colo do útero, o tabagismo, o início precoce da vida sexual, o número elevado de parceiros sexuais e de gestações, o uso de pílula anticoncepcional e a imunossupressão (causada por infecção por HIV ou uso de imunossupressores).

A idade também é importante, já que a maioria das infecções por HPV em mulheres com menos de 30 anos regride espontaneamente.

Como o HPV é transmitido?

O tipos de HPV associados com infecções genitais são transmitidos sexualmente, principalmente através do contato pele com pele durante a atividade sexual. A infecção também pode ser transmitida no sexo oral.

A chance de contrair HPV aumenta com certos fatores de risco:

  • Número de parceiros sexuais ao longo da vida (o risco aumenta com mais parceiros)
  • Idade jovem: as mulheres com idades compreendidas entre os 20 e os 24 anos têm maior probabilidade de estarem infectadas, mas normalmente eliminam a infecção pelo vírus sem problemas.
  • Mulheres que são sexualmente ativas com homens que têm outros parceiros ao mesmo tempo.

Diagnóstico

O aparecimento de verrugas genitais é já é diagnóstico de HPV. Os tipos de HPV associados a verrugas, no entanto, não são geralmente os tipos associados com o câncer.

Quando ocorre a infecção com tipos de HPV de alto risco, geralmente não há sintomas.

O importante, considerando a forma de transmissão, é que a presença de verrugas genitais (HPV de baixo risco) pode indicar a presença também de HPV de alto risco.

Exames

Papanicolau

Muitas vezes, a primeira pista é um teste Papanicolau com resultado alterado.

Um teste de Papanicolau é um exame de uma amostra de células retiradas do colo do útero ou da vagina, durante o exame ginecológico.

A retirada destas amostra é indolor.

O exame é usado para observar as mudanças nas células do colo do útero ou da vagina que mostram e podem mostrar o câncer ou condições que podem evoluir para câncer.

Se detectado precocemente, o câncer do colo de útero pode ser curado.

Teste de HPV (DNA)

Se os resultados do teste de Papanicolau são atípicos, o médico pode solicitar um teste de HPV para verificar o tipo de DNA do vírus.

Esta análise pode identificar 13 ou 14 dos tipos de HPV de alto risco associados ao câncer de colo de útero. Este teste não identifica câncer. Mas ele informa à mulher e a seu médico se ela tem um tipo de vírus capaz de causar câncer.

Um teste positivo coloca a mulher na classe de “alto risco”, alertando o médico que ela está em maior risco de alterações no tecido do colo do útero e pode precisar de avaliações mais frequentes.

Colposcopia

Outro exame que pode ser solicitado é a colposcopia.

Neste exame, o médico utiliza um colposcópio, aparelho que permite visualizar o colo do útero com um aumento de 10 a 40 vezes para avaliar mais detalhadamente a região.

Câncer de colo de útero HPV

Tratamento

Simplesmente ter HPV pode não significar precisar de tratamento, pelo menos não imediatamente.

Se uma mulher está infectada com um tipo de HPV que pode levar ao câncer, o médico pode sugerir testes de Papanicolau mais freqüentes para observar sinais de alterações nas células na área genital.

Alterações celulares no colo do útero são um sinal de alerta de possível câncer cervical.

Tratamento quando há alterações nas células do colo do útero

Se a infecção pelo HPV provoca mudanças nas células que podem levar a câncer de colo do útero, existem quatro principais opções de tratamento:

  • Crioterapia: que é o congelamento das células anormais com nitrogênio líquido;
  • Conização: para remover as áreas anormais;
  • Laser: usa luz para queimar as células alterada;
  • Eletrocoagulação (cauterização elétrica): as células anormais são removidas com uma corrente elétrica que queima o local.

O objetivo é remover todas as células anormais e assim remover a maioria ou todas as células com HPV.

Tratamento para verrugas genitais

Tratar as verrugas agressivamente imediatamente após aparecerem é desencorajado, pois elas ainda poderiam estar ainda emergindo e repetir o tratamento seria necessário mais tarde.

HPV tipos 6 e 11, os associados com verrugas genitais, tendem a crescer por cerca de seis meses, em seguida, estabilizar. Às vezes, as verrugas genitais visíveis desaparecem sem tratamento.

Quando o tratamento é indicado, este pode ser com um creme local, como Imiquimod.

O Imiquimod estimula o sistema imunológico a lutar contra o vírus. Os resultados positivos variam de 70% a 85%, mas em 5% a 20% dos casos as verrugas voltam.

Além do tratamento com creme, há outros tipos de tratamento com remoção de verrugas. Entre as opções:

  • Crioterapia;
  • Cauterização química com ácido tricloroacético;
  • Remoção cirúrgica com bisturi;
  • Electrocoagulação; e
  • Laser

Remoção cirúrgica pode curar o problema em uma única visita. As taxas de sucesso para as outras técnicas variam de cerca de 80% a 90%.

Geralmente, verrugas menores respondem melhor ao tratamento do que as maiores.

As verrugas em superfícies úmidas respondem mais favoravelmente aos tratamentos com cremes do que as verrugas em superfícies mais secas.

HPV e gravidez

Nenhuma ligação foi encontrada entre HPV e aborto, parto prematuro ou outras complicações na gravidez .

Além disso, o risco de transmissão do vírus ao bebê é considerado muito baixo. O parto normal não é contra-indicado.

Se uma mulher grávida apresenta testes positivos para os tipos de alto risco do HPV (associado com o câncer), o médico irá monitorar ela durante a gravidez para observar alterações no tecido do colo do útero.

Em algumas mulheres grávidas com HPV, as mudanças no colo do útero podem aumentar durante a gravidez. Se possível, os médicos vão adiar o tratamento, porque o tratamento pode levar a parto prematuro .

Se uma mulher grávida tem verrugas genitais, as alterações hormonais durante a gravidez podem fazer com que as verrugas se multipliquem ou se tornem maiores.

As verrugas genitais podem ser removidas cirurgicamente, com cauterização química ou elétrica.

Para saber sobre os sinais e sintomas precoces clique aqui.

Como prevenir a infecção pelo HPV

HPV uso de preservativo previne transmissão

Preservativo

Muitas pessoas não sabem que estão infectadas e podem transmitir o vírus.

Assim, o melhor meio de evitar a infecção é o uso de preservativos (camisinha), embora não seja um método infalível, já que o vírus pode ser transmitido de áreas genitais não protegidas pelo preservativo.

Vacinas

Existem duas vacinas disponíveis, no Brasil, para ajudar a impedir a propagação de HPV.

  • Gardasil (quadrivalente) foi aprovado para uso em homens e mulheres com idades entre 9 a 26 anos para prevenir as verrugas genitais e câncer anal. Esta vacina protege contra os tipos 16 e 18, que respondem por 70% dos tumores malignos do colo do útero. Ele também protege contra os tipos 6 e 11, que representam cerca de 90% das verrugas genitais.
  • Cervarix (bivalente) protege contra os tipos 16 e 18 e é aprovado apenas para uso em mulheres.

Nos Estados Unidos, também há disponível a Gardasil-9 que protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18, bem como os outros cinco: 31, 33, 45, 52, e 58. Assim, pode potencialmente prevenir 90% das neoplasias do colo de útero, da vagina, vulva e ânus.

O Ministério da Saúde recomenda que meninas sejam vacinadas com a vacina quadrivalente entre as idades de 9 e 13 anos, antes de se tornarem sexualmente ativas. Nesta idade, a produção de anticorpos é muito maior.

Em 2016, o Ministério da Saúde liberou a vacinação gratuita para meninos também a partir de 2017.

vacina HPV SUS

Referências